Acordei hoje pão dormido
Duro, seco, sem esforço de ser gostado.
O gosto de maçaneta na boca
Da porta que não se entrou.
Na saída da estrebaria encontrei uma ferradura.
Pelo pó nela incrustado
Sabia os lugares pelos quais ela havia passado.
Segui a trilha a que ele me levava,
Acabei na mesma estrebaria.
Os vagões do trem se dividem
Em uma encruzilhada, caminho qualquer.
Nunca se juntam de novo.
A memória às vezes parece mais real
Do que vemos ou ouvimos.
Os encontros desencontram as canções
Que calcaram no couro da pele seus porquês.
O pé segue se arrastando tchh...tch...
E da boca salta um suspiro abafado pela mão.
terça-feira, 15 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
Só queria andar
Passo, passo, medo e passo.
Por que cheguei? Só queria andar.
Mas vocês vem com suas idéias de que há um mundo
E ele precisa de bolachas, brinquedos, sapatos.
Sentado ao ver o mar, o mar de movimento das massas,
Esqueço do oceano vasto da solidão:
Quando toco essas massa, ou onda,
Quando converso bebo brinco mergulho.
As vezes é dias de fusão e nesses sim Sou.
Também a máquina para. Energia é recurso infinito.
Torno-me a chave de fenda trancando as engrenagens.
A água transparente que me banho é a potência das potências.
Se converte além disso, quando a telha nos dá,
Em gigante gelatina, mãe d'água sem filamentos,
Me abraçando, vetando meu flanar.
Quem se demserece agora?
O mundo a eu ou eu ao mundo?
No instante seguinte transmuta-se belo,
Mesmo se gélido, em montanhas de imundos.
A dupla fronteira da alma:
O lado de dentro, o lado de fora.
A múltipla fronteira da conquista,
Melhor. As categorias derretendo pela manhã
E a gente se expandindo feito um tênis
Pisando um grande chiclete preto.
Por que cheguei? Só queria andar.
Mas vocês vem com suas idéias de que há um mundo
E ele precisa de bolachas, brinquedos, sapatos.
Sentado ao ver o mar, o mar de movimento das massas,
Esqueço do oceano vasto da solidão:
Quando toco essas massa, ou onda,
Quando converso bebo brinco mergulho.
As vezes é dias de fusão e nesses sim Sou.
Também a máquina para. Energia é recurso infinito.
Torno-me a chave de fenda trancando as engrenagens.
A água transparente que me banho é a potência das potências.
Se converte além disso, quando a telha nos dá,
Em gigante gelatina, mãe d'água sem filamentos,
Me abraçando, vetando meu flanar.
Quem se demserece agora?
O mundo a eu ou eu ao mundo?
No instante seguinte transmuta-se belo,
Mesmo se gélido, em montanhas de imundos.
A dupla fronteira da alma:
O lado de dentro, o lado de fora.
A múltipla fronteira da conquista,
Melhor. As categorias derretendo pela manhã
E a gente se expandindo feito um tênis
Pisando um grande chiclete preto.
quinta-feira, 3 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Córte
Erva daninha, sujeito da história.
Cresce invisível ao pé da cama,
Quando notamos já somos fantoches
Dessa rubra máscara vazia.
Números escorrem líquidos por debaixo da porta
Enquanto se escutam os passos por detrás dela.
Será que é possível um ardor de entrega
Que nos acompanha como sombra?
Talvez não tê-lo seja sempre trair a quem se encontra.
As aranhas já tecem a minha volta
Quando recém deitei, nem sonhei.
As vejo, as entendo, mas fico imóvel.
Parece que é esperar assim por algum aspirador
Ou romper tudo de uma só vez.
Levanto com braços de espada
Corto laço após laço, cabeça após cabeça,
De amigos queridos, carrascos infantis,
Irmãs de sangue, padres de palavreado vago,
Ídolos idealizados, amores perdidos e encontrados.
A nação e seus ancestrais, a mãe, o pai.
Enquanto rolam os membros e cintos,
Deslumbrado de terror e êxtase
Danço a capoeira que não sei,
Uso o ábaco qual nunca usei.
A melodia mais bela explode do pulmão
Só para os comparsas deste deserto de sal.
O peito pressente a cápsula ou a lâmina:
Por não temê-la segue aberta sem encontrá-la.
Cresce invisível ao pé da cama,
Quando notamos já somos fantoches
Dessa rubra máscara vazia.
Números escorrem líquidos por debaixo da porta
Enquanto se escutam os passos por detrás dela.
Será que é possível um ardor de entrega
Que nos acompanha como sombra?
Talvez não tê-lo seja sempre trair a quem se encontra.
As aranhas já tecem a minha volta
Quando recém deitei, nem sonhei.
As vejo, as entendo, mas fico imóvel.
Parece que é esperar assim por algum aspirador
Ou romper tudo de uma só vez.
Levanto com braços de espada
Corto laço após laço, cabeça após cabeça,
De amigos queridos, carrascos infantis,
Irmãs de sangue, padres de palavreado vago,
Ídolos idealizados, amores perdidos e encontrados.
A nação e seus ancestrais, a mãe, o pai.
Enquanto rolam os membros e cintos,
Deslumbrado de terror e êxtase
Danço a capoeira que não sei,
Uso o ábaco qual nunca usei.
A melodia mais bela explode do pulmão
Só para os comparsas deste deserto de sal.
O peito pressente a cápsula ou a lâmina:
Por não temê-la segue aberta sem encontrá-la.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Do coração da África
Mesmo antes de chegar a tua costa
Já amo a terra descascada
De árvores cortadas, comida cozida,
Onde pisa a dança despreocupada
De infinitas infinitas famílias.
Cultivando machamba* de dois tomates,
No máximo um negócio por dia.
Crianças ficam na casa do vizinho,
Porque todas a todos pertencem
E cada mãe é também ama de leite.
Uma vila tem galinha do mato
Que exibe aprumado o pescoço azul.
Outra cria cabras que parecem cavalo.
Outra acumula latas enferrujadas
Laranja vivo que mastigam
Os porcos sob a luz do pôr-do-sol.
Crianças que se enfileram nuas
A beira do lago somente para
Apertar a mão do estrangeiro.
Crianças que ainda não sabem pedir,
Mas já sabema língua dos negócios.
Mil receitas para fazer cachaço
Mil pais caindo bêbados chatos.
Exército de bebês correndo sobre
Plantações de magros vegetais.
São as palhotas mesmo iguais?
Lugar que somente se adivinha
Pela inversão de estereótipos,
Sempre inconsciente se entendido.
Vida de começo em media res
De pais que são filhos e vice-versa.
*pequena plantação
Já amo a terra descascada
De árvores cortadas, comida cozida,
Onde pisa a dança despreocupada
De infinitas infinitas famílias.
Cultivando machamba* de dois tomates,
No máximo um negócio por dia.
Crianças ficam na casa do vizinho,
Porque todas a todos pertencem
E cada mãe é também ama de leite.
Uma vila tem galinha do mato
Que exibe aprumado o pescoço azul.
Outra cria cabras que parecem cavalo.
Outra acumula latas enferrujadas
Laranja vivo que mastigam
Os porcos sob a luz do pôr-do-sol.
Crianças que se enfileram nuas
A beira do lago somente para
Apertar a mão do estrangeiro.
Crianças que ainda não sabem pedir,
Mas já sabema língua dos negócios.
Mil receitas para fazer cachaço
Mil pais caindo bêbados chatos.
Exército de bebês correndo sobre
Plantações de magros vegetais.
São as palhotas mesmo iguais?
Lugar que somente se adivinha
Pela inversão de estereótipos,
Sempre inconsciente se entendido.
Vida de começo em media res
De pais que são filhos e vice-versa.
*pequena plantação
Poema Colagem Cape Town
A cidade vibrando quebrada
A metrópole viva estragada
As bitucas de cigarro catadas no chão
Se agrupam em um colchão na casa abandonada de um mendigo.
Pedintes pedindo coisas que se tem mas não se quer dar porque daí não se vai mais tê- las.
Ah! As veias pulsantes de luzes, impulsos elétricos, histéricos, sintomáticos de cabeças que ouvem muito barulho. Serpente de luz, anágua macroeletrônica.
Aonde ficam tuas palavras nessa brincadeira?
Quem te ouve cidade mãe? Quem se ouve na vila de cães?
Sim, sorriso incausado, cumprimento casual, encontro no absurdo, maravilha, Carnaval!!
E depois disso cavalo de pau? 180 graus? Levanta a poeira para depois baixar?
O diferente queres afugentar?
Já no fosso do castelo a água está suja e a lua aparece esverdeada!
E vives cidade! Vais ao trabalho, agüentas longajavascript:void(0)s filas, escondes a bolsa e imaginas despedidas, mas ficas!!
De onde tanta vontade? Até vitalidade? Por que não te deixas arrastar na Próxima tormenta, arrasar na próxima chuva ácida?
Há tantos penhascos bonitos por ti, por que não pulas?
Há tantas armas perdidas por ti, por que não as disparas, não te ajudas?
Aí estará para mim teu eterno mistério ó caixa de pedras.
Que dessas montanhas de carne se formam humanos cujo amor mesmo que canalizado cloacalmente ainda brilha, nem que seja por um pequeno tecido, tenra boca, uma festa oca.
Que te esquadrinhes, te distrites, mas que ainda existam canais que formem fluxos de águas autênticas, vestidas de formas excêntricas.
Brigas, tens porquê brigar, não gritas, mas tens porquê gritas, cantas!
Absurdo do absurdo, cantas, como se vivesses entre chafarizes! E crias chafarizes!
Danças! Assim como nada tivesse acontecendo, por um momento não sentes nada fedendo.
A criançada se molha, se lambuza, joga bola, cresce, espanca, abusa, usa, recusa, se culpa, acaba, reclusa. E aí explode a represa, busca a certeza, se esconde no parque, brinca de arte e parte. Volta, vira parte. É preta e se pinta de preto, é branca e se veste de medo; desde cedo aprende o segredo, por isso cala e vai para a cama mais cedo.
Tchau Tchau.. Beijo Beijo.
Olá minha princesa.
Olá meu Princeso.
Meu sonho é ser guerreiro e o dele é conseguir emprego.
O meu é ser dona de casa e o dele(ou dela) é encontrar um bofe.
O meu é jogar Rúgbi e o dela é concerto de roque.
E a gente caminha junto né, vou te dizer que não fala muito, porque a coisa andou meio tensa.
Teve gente arranhado Jaguar, gente queimando loja.
Mas que podemos fazer? É no famoso tem que ser, porém também no pode ser, que encontramos forças para dizer:
Sou, cidade. Sou cidade.
A metrópole viva estragada
As bitucas de cigarro catadas no chão
Se agrupam em um colchão na casa abandonada de um mendigo.
Pedintes pedindo coisas que se tem mas não se quer dar porque daí não se vai mais tê- las.
Ah! As veias pulsantes de luzes, impulsos elétricos, histéricos, sintomáticos de cabeças que ouvem muito barulho. Serpente de luz, anágua macroeletrônica.
Aonde ficam tuas palavras nessa brincadeira?
Quem te ouve cidade mãe? Quem se ouve na vila de cães?
Sim, sorriso incausado, cumprimento casual, encontro no absurdo, maravilha, Carnaval!!
E depois disso cavalo de pau? 180 graus? Levanta a poeira para depois baixar?
O diferente queres afugentar?
Já no fosso do castelo a água está suja e a lua aparece esverdeada!
E vives cidade! Vais ao trabalho, agüentas longajavascript:void(0)s filas, escondes a bolsa e imaginas despedidas, mas ficas!!
De onde tanta vontade? Até vitalidade? Por que não te deixas arrastar na Próxima tormenta, arrasar na próxima chuva ácida?
Há tantos penhascos bonitos por ti, por que não pulas?
Há tantas armas perdidas por ti, por que não as disparas, não te ajudas?
Aí estará para mim teu eterno mistério ó caixa de pedras.
Que dessas montanhas de carne se formam humanos cujo amor mesmo que canalizado cloacalmente ainda brilha, nem que seja por um pequeno tecido, tenra boca, uma festa oca.
Que te esquadrinhes, te distrites, mas que ainda existam canais que formem fluxos de águas autênticas, vestidas de formas excêntricas.
Brigas, tens porquê brigar, não gritas, mas tens porquê gritas, cantas!
Absurdo do absurdo, cantas, como se vivesses entre chafarizes! E crias chafarizes!
Danças! Assim como nada tivesse acontecendo, por um momento não sentes nada fedendo.
A criançada se molha, se lambuza, joga bola, cresce, espanca, abusa, usa, recusa, se culpa, acaba, reclusa. E aí explode a represa, busca a certeza, se esconde no parque, brinca de arte e parte. Volta, vira parte. É preta e se pinta de preto, é branca e se veste de medo; desde cedo aprende o segredo, por isso cala e vai para a cama mais cedo.
Tchau Tchau.. Beijo Beijo.
Olá minha princesa.
Olá meu Princeso.
Meu sonho é ser guerreiro e o dele é conseguir emprego.
O meu é ser dona de casa e o dele(ou dela) é encontrar um bofe.
O meu é jogar Rúgbi e o dela é concerto de roque.
E a gente caminha junto né, vou te dizer que não fala muito, porque a coisa andou meio tensa.
Teve gente arranhado Jaguar, gente queimando loja.
Mas que podemos fazer? É no famoso tem que ser, porém também no pode ser, que encontramos forças para dizer:
Sou, cidade. Sou cidade.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Gritode um jovem africano!
I
Arranjei uma manga suculenta e grande.
Deve ser suficiente para a tarde
Já que o barco ficou preso,
E o turista não deu dinheiro.
Logo é natal, dia de comer arroz,
Falar com a boca cheia e projetar a barriga.
Me ensinaram que nessa data
Nasceu um branco cabeludo e alto
Que não cuspia fogo nem dormia de dia.
Falava de pombas e de um grande senhor,
Abria bocas e perdoava travessuras.
II
Me dê algo elétrico
Nem que seja chicote
Pra marcar de neon
Minhas costas amargas.
Pinte o céu de vermelho
Desde que chova das verdes!
Dê-me um grão, faço refeição,
Ou repetido refrão que faço lema.
Se for famoso estampa meu peito,
No significado se dá um jeito
É só o tecido proteger do vento.
Todo o homem é igual em direito
Então quero ser igual ao mundo inteiro!
Ouvi de cidades distantes
Onde se entralaçam brilhantes
Luminosos em cruzamentos
Comandados por luminosos.
Vou pedir ao secretário
Para lá botar meu barraco.
Eu qero ver se pesco rato
Na lua de São João,
Como o meu avô me ensinou.
Arranjei uma manga suculenta e grande.
Deve ser suficiente para a tarde
Já que o barco ficou preso,
E o turista não deu dinheiro.
Logo é natal, dia de comer arroz,
Falar com a boca cheia e projetar a barriga.
Me ensinaram que nessa data
Nasceu um branco cabeludo e alto
Que não cuspia fogo nem dormia de dia.
Falava de pombas e de um grande senhor,
Abria bocas e perdoava travessuras.
II
Me dê algo elétrico
Nem que seja chicote
Pra marcar de neon
Minhas costas amargas.
Pinte o céu de vermelho
Desde que chova das verdes!
Dê-me um grão, faço refeição,
Ou repetido refrão que faço lema.
Se for famoso estampa meu peito,
No significado se dá um jeito
É só o tecido proteger do vento.
Todo o homem é igual em direito
Então quero ser igual ao mundo inteiro!
Ouvi de cidades distantes
Onde se entralaçam brilhantes
Luminosos em cruzamentos
Comandados por luminosos.
Vou pedir ao secretário
Para lá botar meu barraco.
Eu qero ver se pesco rato
Na lua de São João,
Como o meu avô me ensinou.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Caleidoscópio Africano
O mistério dos sexos:
Cantigas e camisas
E as cambiantes capulanas*.
Cabanas de palha
Pilhas de carvão as rodeando.
Fumaça de lixo junto as cabras pastando.
Moscas passam em si urticando,
Sonhos de conforto desnecessário,
Atrás os holofotes de um comercial.
Cordas ligam tudo,
Fecham sacos, amarram motores,
Afinam tambores, prendem os loucos.
Arames entretecidos viram carros
De brinquedo, que transportam os donos.
Criatividade mágica provem da precariedade.
Precocidade, densidade que encurta a vida.
Sonhos vetados e os que profundos vingam
Sem você sonhar em ver.
Adjetivos, esses ajudantes sempre aleijados
Insuficientes em afirmações africanas.
Selvagens, haha, os chamam de selvagens.
Substantivos perdendo sua generalidade.
Chuva só é chuva se encharca.
Após se ver um baobá**
Nenhuma outra se chama árvore.
A vastidão dos desertos e as savanas.
A presença constante do horizonte
Vazio, não figurativo.
A figura que aparece do horizonte
Pede um cigarro e desaparece do lado oposto.
Sonhos de conquistadores
Lanças, tochas, rituais,
A feitiçaria onipresente escondida.
Nomadismo e todas suas conseqüências.
As primeiras migrações humanas,
A emoção de pisar em algum lugar
Onde nenhum portador de dúvidas havia pisado.
Tremer frente ao primeiro frio congelante,
Descobrir o fogo novamente.
Tudo pairando, cavalos marinhos no ar
Prontos a se inspirar, de boca aberta.
Sobre terra que não é de palavras
Palavras não irão resolver.
Aprender não se explica menino!
Vai ver e sai sabendo que não viu.
*Capulanas são os lenços de padrões coloridos utilizados pelas mulheres na África para se vestirem, carregar bebês, guardar roupas ou cereais.
**Imbondeiro: Árvore de grande circunferência existente na África, tema de muitos mitos, que normalmente por ser boa sobra se torna o centro de um vilarejo.
sábado, 2 de outubro de 2010
Poema sem necessidade II
Qual o exato momento
Na historia das grandes chuvas,
Onde o verde e o azul tornaram-se
O tom maior da vida na terra?
Quando a abundância foi inventada,
O armazenamento tolerado,
A agricultura quase fácil,
Permitindo o homem?
O osso-arma do macaco,
O galho que cutuca as frutas.
A magia pragmática dos
Primeiros instrumentos.
Progressivamente: tempo para lazer
Banhar-se no rio e ouvir os pássaros,
Todos sentidos querer entender,
Comer doces balas nos semáforos.
Ao absurdo do tédio e do suicídio.
Acham que Darwin consegue explicar
Tantos majestosos castelo no ar?
Até sobra tempo para rimar!
Junto aos punhados de pêlos
Perdendo-se em cada geração
Vai-se a Natureza do Humano
E na Natureza Humana sobram
Poucos pêlos no peito,
Perto do coração.
Na historia das grandes chuvas,
Onde o verde e o azul tornaram-se
O tom maior da vida na terra?
Quando a abundância foi inventada,
O armazenamento tolerado,
A agricultura quase fácil,
Permitindo o homem?
O osso-arma do macaco,
O galho que cutuca as frutas.
A magia pragmática dos
Primeiros instrumentos.
Progressivamente: tempo para lazer
Banhar-se no rio e ouvir os pássaros,
Todos sentidos querer entender,
Comer doces balas nos semáforos.
Ao absurdo do tédio e do suicídio.
Acham que Darwin consegue explicar
Tantos majestosos castelo no ar?
Até sobra tempo para rimar!
Junto aos punhados de pêlos
Perdendo-se em cada geração
Vai-se a Natureza do Humano
E na Natureza Humana sobram
Poucos pêlos no peito,
Perto do coração.
Poema sem necessidade I
Ponta de agulha brilho fino
Penetra incisiva a pele de
Qualquer animal escamoso.
Ardente grito proto-avicola
Rasgando ouvido de pesca
E pescador que observa.
O plano lago esconde
Grandes tigres submersos
Que surgem surpresos,
Em dias de mau-humor.
O sol é maciço, amassa.
Pensar é o grande luxo
De quem não tem fome.
Escrever é a luxúria
De quem tem braços livres.
Penetra incisiva a pele de
Qualquer animal escamoso.
Ardente grito proto-avicola
Rasgando ouvido de pesca
E pescador que observa.
O plano lago esconde
Grandes tigres submersos
Que surgem surpresos,
Em dias de mau-humor.
O sol é maciço, amassa.
Pensar é o grande luxo
De quem não tem fome.
Escrever é a luxúria
De quem tem braços livres.
sábado, 1 de maio de 2010
poema pintura criança
Figurando aquele momento infantil,
O contrário da Roda de Newton,
O sonho holístico representado
Na mente protoprática infame infante.
Peguei o vermelho
Joguei grossa camada
De tinta à bolonhesa;
Azul claro denso
Da piscina lá de casa;
Verde musgo
Da bandeira do Brasil;
Amarelo do sol sorrindo;
Roxo Fanta uva
E mais duas ou três cores do alfabeto
(a de amor, b de baunilha, c de carmesim).
A beleza aparecia, sem dúvidas, na minha cabeça.
E o verdelimãorosamaravilha, projeto da unidade do mundo,
Devagarinho provava-se menos que sonho.
Vermelho Verde musgo marrom CINZA!
Feito peça russa! Aos 7 anos!
Educação artística eles chamam!
O devaneio da plenitude se desvanece em uma manhã colegial qualquer.
E volta na maturidade como metáfora da vida.
O contrário da Roda de Newton,
O sonho holístico representado
Na mente protoprática infame infante.
Peguei o vermelho
Joguei grossa camada
De tinta à bolonhesa;
Azul claro denso
Da piscina lá de casa;
Verde musgo
Da bandeira do Brasil;
Amarelo do sol sorrindo;
Roxo Fanta uva
E mais duas ou três cores do alfabeto
(a de amor, b de baunilha, c de carmesim).
A beleza aparecia, sem dúvidas, na minha cabeça.
E o verdelimãorosamaravilha, projeto da unidade do mundo,
Devagarinho provava-se menos que sonho.
Vermelho Verde musgo marrom CINZA!
Feito peça russa! Aos 7 anos!
Educação artística eles chamam!
O devaneio da plenitude se desvanece em uma manhã colegial qualquer.
E volta na maturidade como metáfora da vida.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
sábado, 19 de dezembro de 2009
Três vivas ao nosso grande empreendimento humano - À um mundo mais fofo e (areia) movediço
deve-se deixar tudo que é belo
antes que seja pensável
que esse algo se envileça
a efemeridade da beleza
como transporte na vida.
compulsório a quem tem pernas,
reais.
A felicidade estável, duradoura
E principalmente a ilusão dela
São os primeiros, talvez até derradeiros
sinais da acomodação.
O eterno retorno vivido na repetição vista como igual. Agradavelmente igual, brisa de verão na casa de praia. Aconchego no coração, amor de mãe e toda sexta feira a epifânica novidade de um cheiro novo saindo da cozinha.
Toca piano mecânico, que em ti descobriremos máquina!
Cartão perfurado: matriz do funcionamento.
Moinho numérico, triturador do invisível,
Quando te desdobrarão feito tapete vermelho?
Sim, quando?! E junto estarão os decepados membros
Que sacrificaram o sangue que te tinge?
Assim, “noite dos mortos vivos”, saindo da terra!
Promessa sangácida de decisões melhor tomadas, progresso e bauxita.
Levanta-te agora dessa poltrona gigante! Sim dessas mesmas onde o pé não encosta no chão.
Não sentes o couro dela nas tuas costas? Não vê que cheio de suor conquistado tu a ela te gruda?
antes que seja pensável
que esse algo se envileça
a efemeridade da beleza
como transporte na vida.
compulsório a quem tem pernas,
reais.
A felicidade estável, duradoura
E principalmente a ilusão dela
São os primeiros, talvez até derradeiros
sinais da acomodação.
O eterno retorno vivido na repetição vista como igual. Agradavelmente igual, brisa de verão na casa de praia. Aconchego no coração, amor de mãe e toda sexta feira a epifânica novidade de um cheiro novo saindo da cozinha.
Toca piano mecânico, que em ti descobriremos máquina!
Cartão perfurado: matriz do funcionamento.
Moinho numérico, triturador do invisível,
Quando te desdobrarão feito tapete vermelho?
Sim, quando?! E junto estarão os decepados membros
Que sacrificaram o sangue que te tinge?
Assim, “noite dos mortos vivos”, saindo da terra!
Promessa sangácida de decisões melhor tomadas, progresso e bauxita.
Levanta-te agora dessa poltrona gigante! Sim dessas mesmas onde o pé não encosta no chão.
Não sentes o couro dela nas tuas costas? Não vê que cheio de suor conquistado tu a ela te gruda?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Eu queria ser uma nota de dólar
Ou uma cifrabit que representa essa nota.
Ou milhares delas, sim Milhares!!!
Ser uma forte torrente límpida da China a Londres
E depois a Tókio no mesmo dia.
Para ao entardecer (qual deles?)
Dormir tranqüilo na floresta verde
Dos confortáveis Chips/Cofres
De Manhattan.
Não me pediriam visto nem passaporte.
Nem perguntariam mais
Quem são meus pais.
Eu faria as pessoas felizes por poucos instantes
E quando fosse embora
Veria com um sorriso de diretor
O sorriso delas se esvair.
Seria cidadão do mundo,
Nunca vagabundo nem imundo.
Quase um anjo,
Podendo quase tudo fazer
Mas nunca escolher.
Teria uma linda aureola dourada
E fotos dos mais fortes líderes do planeta.
Ninguém me diria sem classe,
Muito menos pobre.
Ou uma cifrabit que representa essa nota.
Ou milhares delas, sim Milhares!!!
Ser uma forte torrente límpida da China a Londres
E depois a Tókio no mesmo dia.
Para ao entardecer (qual deles?)
Dormir tranqüilo na floresta verde
Dos confortáveis Chips/Cofres
De Manhattan.
Não me pediriam visto nem passaporte.
Nem perguntariam mais
Quem são meus pais.
Eu faria as pessoas felizes por poucos instantes
E quando fosse embora
Veria com um sorriso de diretor
O sorriso delas se esvair.
Seria cidadão do mundo,
Nunca vagabundo nem imundo.
Quase um anjo,
Podendo quase tudo fazer
Mas nunca escolher.
Teria uma linda aureola dourada
E fotos dos mais fortes líderes do planeta.
Ninguém me diria sem classe,
Muito menos pobre.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Ser bem entendido é sempre um risco. Mais fácil rodear, encher de metáforas, omissões, no-senses. O risco de dizer exatamente o que se quer dizer, ser totalmente entendido e o Outro simplismente responder, isso é tosco, simples demais, aí não tem nada de novo.
Não, prefiro as metáforas elaboradas, falar das profundezas(?) da minha alma(?) que ninguém conhece, nem eu, então ninguém pode criticar, a não ser eu, que posso fingir conhece-la.
E continuo com medo de pegar o toro à unha.
Não, prefiro as metáforas elaboradas, falar das profundezas(?) da minha alma(?) que ninguém conhece, nem eu, então ninguém pode criticar, a não ser eu, que posso fingir conhece-la.
E continuo com medo de pegar o toro à unha.
terça-feira, 2 de junho de 2009
poema semi-hippie do ano da ultima copa
Obscenidades de metal, concreto e cor
Formando um novo céu de pastilhas de cerâmica.
Pirâmide humana de galhos quebradiços
E de um tronco lógico e dispensável
Um polvo infinito de fios e
Um mar denso de ondas magnéticas
São os fracos e lúgubres canais
Que ligam esses cabecorações
O esperançoso malabarista palhaço
Tenta percorrer essa distância inconsistente
Por uma corda bamba eletrificada
Ventos fortes de medo, ódio e saudável inveja
Sopram das janelas por onde o ar e o sol um dia entraram
E o paladino do alvorecer
Cai à luz de um crepúsculo cinza
Logo uma gelatina transparente arco-íris
Se espalha pelo cruzamentos
Mas se dissolve a tempo
De nenhum perito examiná-la
Formando um novo céu de pastilhas de cerâmica.
Pirâmide humana de galhos quebradiços
E de um tronco lógico e dispensável
Um polvo infinito de fios e
Um mar denso de ondas magnéticas
São os fracos e lúgubres canais
Que ligam esses cabecorações
O esperançoso malabarista palhaço
Tenta percorrer essa distância inconsistente
Por uma corda bamba eletrificada
Ventos fortes de medo, ódio e saudável inveja
Sopram das janelas por onde o ar e o sol um dia entraram
E o paladino do alvorecer
Cai à luz de um crepúsculo cinza
Logo uma gelatina transparente arco-íris
Se espalha pelo cruzamentos
Mas se dissolve a tempo
De nenhum perito examiná-la
domingo, 26 de abril de 2009
E para sempre espero
Que o céu chegue mais perto
Trazendo a solução que quero,
Estrelas lúcidas como em um deserto.
E que então as árvores
Se entrelacem com os prédios
Juntando o sagrado e o néscio.
E a pressavenida será invadida pelos mares.
E como costura esse tear
Se o messias caiu em desuso?
Se para a solução chegar
De imaginação impossível abuso?
Talvez seja tudo um sonho vazio
E só me restem mulher deselegantes
Para esquecer que não haverá rio
Em um vale outrora pulsante.
(ou)
Talvez seja tudo um sonho vazio
Não exista cobertor do tamanho do meu frio.
Que o céu chegue mais perto
Trazendo a solução que quero,
Estrelas lúcidas como em um deserto.
E que então as árvores
Se entrelacem com os prédios
Juntando o sagrado e o néscio.
E a pressavenida será invadida pelos mares.
E como costura esse tear
Se o messias caiu em desuso?
Se para a solução chegar
De imaginação impossível abuso?
Talvez seja tudo um sonho vazio
E só me restem mulher deselegantes
Para esquecer que não haverá rio
Em um vale outrora pulsante.
(ou)
Talvez seja tudo um sonho vazio
Não exista cobertor do tamanho do meu frio.
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